Oh dores

das flores que ganhei

todos os perfumes me fizeste sentir

o frescor da chegada

o mel das pétalas guardadas

a podridão do mofo abandonado

e agora, ao reabrir a caixa velha, senti o cheiro do nada.

outubro 20, 2006 at 12:51 am 3 comentários

Para 180°

_ Linda! Levanta! Café!
_ Só um pouquinho...
_ Paixão! Vem!
_ To indo...
_ Depois eu arrumo isso aí.
Viro. Silêncio.

_ Oi Nana!
_ Oi, Lu. Achei teu brinco.
_ Ahn? - Olhos arregalados.
_ Vim devolver.
_ Ah! Obrigada.
Viro. Silêncio.

Toc... toc... saltos... toc... toc... peito......
Tlec... tlec... atrás.
_ Olha só...
Viro. Silêncio.

_ Onde tu achou?
A mão arde.
_ Olha aqui sua piranha. Vá foder com quem tu quiser! Mas comigo não!
_ Isso vai ter volta!
_ Se tiver tu vais apanhar até me pedir perdão!
Viro. Silêncio.

_ Ficou louca!!! Não é nada disso que tu ta pensando!! Foi só uma vez! Todo mundo erra. Eu não queria te magoar... Tu é muito especial, me desculpa?
Viro. Silêncio.

Depois das chamadas não atendidas, das mensagens descabidas, dos e-mails não respondidos, das visitas não permitidas, das flores devolvidas, do passado remexido, das lembranças revividas e das lagrimas escorridas
Viro silêncio.

agosto 31, 2006 at 5:42 pm 3 comentários

Desce!

      Maldito prédio. Maldito elevador, sempre lento! Vou embora! Durante o mês inteirinho não dei as caras na tia Lúcia, por que agora? To marcando bobeira... Vou embora! Nove horas, ele já saiu da aula! É só virar as costas e ir embora! E se ele aparecer? Que merda de elevador que não chega! Vou embora. Bah, conheço esse perfume...
_ Oi!!!
_ Oi.
_ Há quanto tempo!! Que legal te encontrar! Chegou o elevador! Vais ver tua tia?
_ Pois é. Ainda agarrado nos livros?
_ Pois é, a prova é amanha!
_ Eu sei, mas tu deverias descansar um pouco? Dar um
tempo pra cabeça é bom nessas horas.
_ Não to estudando, to só agarrado nos livros!
_ Ahhahahaha. Como é que é?
_ É que proximidade física me conforta. Tu sabes, né?
_ Sei.
_ Ana...
_ Fala.
_ Tu não queres ouvir... mas sabes né?
_ Sei.
_ Então ouve.
_ Diga.
_ To com saudades.
_ Da proximidade física, né?
_ Bah, não fala assim.
_ Essa história de novo não.
_ Não tem história nenhuma, a gente se conhece, não tem
por que não curtir.
_ Que inferno. Se tu queres que eu diga, eu digo: Não to mais
afim de ser a amiguinha que tu comes quando te dá na louca.
_ Não é verdade!
_ Ah é sim, primeiro eu achava que gostava muito de ti pra
isso. Agora a real é que eu gosto demais de mim pra isso.
_ Tu sabes que não foi isso que eu quis dizer.
_ Eu nunca soube o que tu quiseste dizer. Vou descer aqui.
_ Por que estás fugindo?
_ Me solta por favor!
_ Ana...

_ Tá machucando meu braço!
_ Queres mesmo que te solte?

      Os livros ficaram lá. Ele me levou, entre beijos, até o
patamar entre as escadas. Pegou nos meus seios, me beijou, me
lambeu, me mordeu. Me prensou contra a parede e apertou minha
bunda pra que eu sentisse a rigidez entre suas pernas. Então,
enquanto trepava comigo, fiz amor com ele.

agosto 16, 2006 at 3:53 pm 2 comentários


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